Conhecimento – uma breve abordagem técnica

Conhecimento

Olá Gente boa.

Hoje queremos falar um pouquinho sobre conhecimento.

Durante muitos anos de nossa carreira profissional eu proferimos palestras sobre a informação, seus conceitos, sua estrutura, sua formação e sobre a dificuldade de obtenção da informação que você precisa, do jeito que você precisa, na hora que você precisa.

A maioria dessas palestras abordava as questões de negócios, mas o modelo serve pra qualquer caso.

Ué, mas o título não é sobre conhecimento?

Calma que eu vou chegar lá.

Como somos matemáticos, vamos formular uma equação sobre a informação e sobre o conhecimento, mas não se assuste nem pare de ler pois não vou complicar não. Nem vou te encher de fórmulas e esquisitisses ininteligíveis (essa foi boa!!!).

Muito bem vamos começar do começo.

Nós do mundo ocidental armazenamos o que vemos e fazemos de forma escrita ou estampada, isto é em forma de textos (caracteres - que incluem números, letras e sinais especiais), em forma de imagens (fotos, vídeos, pinturas), em formas esculturais (objetos de uso ou de arte) e em formas sonoras (LP´s, cd´s, mp3, ….).

Nos últimos anos passamos a digitalizar tudo isso, menos as formas esculturais embora estas também estejam todas fotografadas ou filmadas.

A tudo que faz parte desses conjuntos chamamos “dados”, e estes são armazenados em “bancos de dados” (não vou entrar aqui nos aspectos técnicos desse armazenamento, mas creia que tudo que está armazenado encontra-se em grandes bancos de dados – conceitualmente).

Às atividades repetitivas do dia a dia chamamos “processos”, pois esses processos são geradores de dados. Seja em casa, seja no trabalho, os processos geram dados. Normalmente em casa não armazenamos os dados desses processos mas no trabalho isso é essencial e fundamental para o exercício do controle operacional da empresa ou organização.

O registro dos dados é que vai propiciar o encontro da informação. Em casa registramos os dados em nossa mente, às vezes em um caderno e os mais sofisticados em algum meio digital.

A informação é um conjunto de dados pois um dado sozinho não diz muita coisa, por exemplo: 12.354.

O que significa um número solto assim?

É um dado.

Mas pode ser o número de uma nota fiscal. O valor de uma compra. O salário de um afortunado. Enfim..... muitos chutes mas nenhuma certeza.

Agora se ele vem acompanhado de outros dados, sobre ele mesmo (que chamamos de metadados – do tipo este é o número de pagantes no jogo xyz) ou de outros dados simbólicos ou textuais, então o número 12.354 pode fazer algum sentido, por exemplo NF 12.354 que pode significar Nota Fiscal número 12.354 ; R$ 12.354 como vl de compra. População do bairro Santa Periquita: 12.354.

E assim vai....

Então temos uma representação de processos, dados e informação bem legal:

I = ƒ(D= ƒ(P))

ou Informação é uma função de dados que é um função de processos.

Ok, mas e o conhecimento?

Muita gente acha que o conhecimento pode ser armazenado, e de fato grande parte dele acho que pode sim ser armazenada, mas não o todo.

E por que?

Porque o conhecimento no nosso entender é o uso da informação pela experiência associada à inteligência.

Experiência é o que acumulamos ao enfrentarmos as situações da vida, desde que nascemos. E assim vem o aprendizado que é o registro interno, em nosso banco de dados, dos elementos que percebemos cada vez que um tipo de experiência se apresenta. E esse processo se dá muitas vezes até mesmo sem consciência, ou sem que ela, a consciência, conduza o mesmo.

Está ficando complicado e nosso objetivo não é esse!

O fato é que quando passamos por experiências armazenamos os dados dessas experiências, seja só internamente, como sentimentos e emoções, seja formalmente como o registro de um texto, imagem, e outros tipos de expressões decorrentes.

Agora a inteligência é a capacidade de conhecer, compreender e aprender, ou a capacidade de compreender e resolver novos problemas e conflitos e de adaptar-se a novas situações. É a capacidade de analisar os dados coletados durante as experiências e utilizar essa análise nos próximos eventos experimentais, sejam estes do mesmo tipo e natureza, sejam de outros. E nesse caso o uso dos dados analisados ocorre por analogias e relações que a inteligência proporciona.

A inteligência é medida, controversamente ou não por um quociente calculado a partir de testes que avaliam a capacidade cognitiva (inteligência) de um indivíduo. O tema é extenso e complexo e nosso objetivo aqui é apenas estabelecer uma relação entre dados, informação e conhecimento.

A inteligência e a experiência no nosso entender também são cumulativas e evolutivas. Quanto mais utilizamos mais alargamos a capacidade de utilizar novamente.

Então agora nossa expressão matemática poderia ficar assim:

K = ƒ (QI + E + I)

ou

K = ƒ (QI + E + I = ƒ(D= ƒ(P)))

onde:

K = conhecimento (K de Knowledge)

E = Experiência

QI = inteligência

I = informação

D = dado

P = processo

Ou seja o conhecimento é uma função associativa de inteligência com experiência com informação. Esta por sua vez é uma função de dados que por sua vez é uma função de processos.

Parte desse conhecimento pode ser registrado de inúmeras formas, mas não todo ele.

Porque a inteligência é desdobrada em várias facetas como inteligência espacial, emocional, etc... e esse é assunto para uma outra conversa.

E com tudo isso o conhecimento é limitado à pessoa ou ao conjunto de pessoas que utilizaram suas facetas de inteligência ao analisarem os elementos das experiências vividas e armazenaram os dados desses momentos de forma individual, mesmo que formalizadas em textos, imagens, arte, som, etc...

E na prática o que tudo isso significa?

Significa que quando você dá uma “googada”, ou seja, pesquisa sobre alguma coisa, você pode obter somente dados, ou pode obter informação, ou até um pouco de conhecimento (que provavelmente é o conhecimento de uma outra pessoa que foi de alguma forma registrado – porém lembre-se que não considero possível registrar tudo o que envolve o conhecimento).

E daí?

Não confie de cara no que você obtem como resultado, pois mesmo que seja um registro de conhecimento, ele reflete o conhecimento que alguém obteve ao analisar com a inteligência numa experiência pela qual esse alguém passou. E parte do conhecimento e dos dados da experiência provavelmente não pôde ser registrado. Voce terá que inferir, se possível.

Parte do conhecimento é de cunho pessoal e intransferível, pois só você tem o registro completo de suas análises inteligentes sobre suas experiências.

Do lado organizacional a coisa funciona do mesmo modo, porém existem programas de computador para registrar os dados e propor informação pra quem precisa, mas te garanto que 90 % das organizações não se preocupa em construir um amniente que possibilite uma arquitetura de dados, informações e conhecimento que seja adequada às reais necessidades da gestão dessas organizações.

Essa experiência vivemos pessoalmente por mais de 15 anos. Somos especialistas em arquitetura de informação, mas isso é asusnto para outra conversa. Conheça aqui nossos softwares e aplicativos para pessoas físicas e jurídicas.

Muito bem, no livro “O nascimento da era caórdica” de Dee Hook encontramos uma proposição interessante. Ele decompôs a palavra informação em “in”, “forma”, e “ação”.

E a posposta é que o que colocamos pra dentro da mente (“in”) gera em nós uma nova “forma” de ser ou pensar a respeito do assunto pertinente ao que colocamos pra dentro, e gera em nós uma ação.

Se isso não acontecer é somente um dado. Entra dum lado, fica armazenado ou sai por outro lado e não provoca nada, nenhuma ação nem reação (que também é uma ação). Embora filosoficamente não ter nenhuma ação nem reação é na verdade uma ação ou reação inconsequente (que não gera consequências e não que não saiba o que provoca a reação ou ação), o contexto aqui é que podemos colocar muita coisa pra dentro da gente e que não serve pra nada, não faz nada com a gente, etc...

Se faz, então juntamente com a experiência e com a inteligência vira um conhecimento adquirido, conceituado ou pré-conceituado. E como tudo na vida isso é tanto uma grande oportunidade como um grande risco.

As grandes mentes nos avisam que quanto mais conhecimento adquirimos mas entendemos que menos sabemos.

O conhecimento também pode ser entendido como a soma dos conhecimentos individuais e que obviamente transcende um único indivíduo e se consolida em culturas, tradições, dogmas, doutrinas, e tantas outras formas coletivas.

Precisamos estar sempre abertos ao conhecimento que é na verdade um moto contínuo, uma constante evolução no e do entendimento das coisas todas.

Um aspecto muito curioso e importante do conhecimento é que um novo pode anular um anterior. Isso não é demérito para a pessoa ou sociedade que o tinha como verdade, mas apenas a realidade de que ninguém conhece a verdade efetivamente.

O planeta Terra já foi plano, quadrado, com um atleta o segurando, com um elefante gigante o segurando, enfim as mais estranhas (para nós hoje) suposições tidas como verdades.

Hoje o conhecemos como um astro de forma esférica, “flutuando” em torno de outro astro, o Sol, etc...

Será que daqui a alguns anos o conheceremos como “um aglomerado de poeira cósmica...onde um dia os seres humanos habitaram”...

Por hoje é só.

Espero que você seja aberto a conhecer sempre mais e mais.

Nota: as equações expostas neste texto são meramente ilustrativas. As reais equações e sistemas de equações sobre o tema são muito mais complexas e não é meu objetivo fazer uma exposição puramente matemática do assunto até porque teremos que entrar em termos de física, e física quântica, e as funções terão infinitos parâmetros, variáveis, etc....

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *